Prefeitura de Poços de Caldas
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De folião a fundador da Mocidade, Waldemarzinho conta histórias da folia

Waldemarzinho
Foto: Rossmaly Borges/Seleções Carnavalescas

“Quem gosta de sair com trapos no Carnaval é intelectual. O povo gosta de beleza! Para nós, povo, o Carnaval é luxo”. Foi assim, levando beleza e luxo para as ruas, que Waldemar Lemes Filho, o Waldemarzinho, fez história na folia poços-caldense.

Ele foi um dos grandes nomes da escola de samba Mocidade Independente da Vila, mas também frequentou a festa, como folião, desde criança. Na casa da Dona Zica, onde a turma da Vila Cruz se reunia na década de 60, ele descobriu o gosto pelo Carnaval.

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Câmara Municipal
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A mãe também o levava para assistir o corso, desfile de carros abertos que acontecia na Praça Pedro Sanches. Um pouco mais tarde, o rapaz começou a frequentar os bailes do Palace Casino. Era menor de idade, mas não ficava de fora: a altura disfarçava a juventude e assim Waldemarzinho garantia as noites de festa.

Depois, já um nome importante na folia, ele organizou algumas edições deste baile que o encantava na adolescência. Garantia o funcionamento ordenado e a limpeza constante. Conta com orgulho que, mesmo no meio daquela confusão carnavalesca, os banheiros estavam sempre limpos. O resultado eram foliões, agradecidos, vivendo grandes noites.

Waldemarzinho
Foto: arquivo Seleções Carnavalescas

Nos anos 80 e 90 ele viveu plenamente a festa, seja desfilando nos blocos ou à frente da Mocidade e de eventos importantes. “O Carnaval começava na quinta-feira com o [baile] Verde e Branco e a escolha da rainha na Caldense. A cidade se vestia de Verde e Branco para prestigiar a Caldense e a escolha da Rainha do Carnaval. Depois, na sexta, o [baile] Vermelho e Preto, feito pelo Di Carvalho, era outro acontecimento.Sábado, domingo, segunda e terça tinha Carnaval no Palace Casino e na Caldense”, relata.

Mais memórias

Waldemarzinho também lembra das Domésticas de Lourdes, bloco que vinha de Belo Horizonte com homens vestidos de mulher. Isso também acontecia num evento esportivo todos os carnavais no Country Club: o jogo de futebol dos solteiros contra os casados.

Nesse mesmo local ocorre até hoje o momento mais tradicional do Carnaval poços-caldense: o Banho à Fantasia. Inclusive, ele valorizou o evento como secretário municipal de Turismo, durante a gestão Luiz Antônio Batista, nos anos 90.

Além disso, promoveu a capacitação dos profissionais envolvidos no Carnaval com oficinas para as escolas de samba. Houve orientações sobre fantasias, bateria, enredo e todas áreas importantes para um bom desfile. Tudo com profissionais do Rio de Janeiro (RJ), ou seja, da maior qualidade. “Minha ligação com a Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa) era muito grande e ainda é até hoje”, comenta.

O secretário também oferecia todo o apoio necessário para o Concurso Nacional de Fantasias Isoladas, que reunia luxo e criatividade nos salões do Palace: “Eram fantasias maravilhosas, que vinham do Brasil inteiro para Poços de Caldas”.

Como presidente da Associação das Escolas de Samba e Blocos Carnavalescos de Poços de Caldas (Aesb), buscou criar oportunidades e renda. Organizou, por três anos consecutivos, bailes de Carnaval no Cenacon. Na primeira edição o evento arrecadou cerca de R$ 110 mil convertidos em materiais de construção para famílias do Programa Municipal de Habitação Popular. Nos anos seguintes, quando não havia mais subvenção pública para as agremiações, o valor foi direcionado para as escolas de samba.

Mocidade Independente da Vila

Waldemarzinho

Na década de 80 acontecia um marco na vida de Waldemarzinho e no Carnaval de Poços: a fundação da Mocidade Independente da Vila. Ali ele atuava na área de relações públicas e fazia de tudo. O último desfile aconteceu em 2004, com um tema marcante: Décio Alves de Morais.

O jornalista e empresário foi o fundador da Seleções Carnavalescas, em 1952. Apaixonado pelo Carnaval, ele teve neste desfile a primeira oportunidade de entrar na avenida como folião.

Quem escolheu o enredo foi justamente Waldemar, amigo de Décio desde os anos 60. “O Décio contribuiu não só para o Carnaval mas para a cidade, como jornalista, pessoa, cidadão, empresário, pai de família e marido apaixonado que escrevia cartas para a esposa. Ele teve uma história fantástica, que preencheu maravilhosamente o desfile”, lembra Waldemar.

Ele sabe que os desfiles tinham essa função importante de contar histórias, bem como homenagear grandes nomes da história local: “Satisfação enorme ver a vida do Décio na avenida. Um enredo do começo ao final, com a história contada por centenas de pessoas. A sensação é indescritível, só quem viveu pode falar. Esse é o único ganho para quem trabalha com escolas de samba”.

Para Waldemar, esse foi um desfile campeão. Porém, não houve o mesmo reconhecimento por parte dos jurados e a decepção levou à aposentadoria da avenida. Outro tema marcante na história da Mocidade foi inspirado em uma conversa sobre política. “Em 1996 alguém disse ‘ganhamos as eleições na calada da noite’. Esse foi o enredo no ano seguinte, mas sem falar de política. Tinha as criaturas da noite, do imaginário, o medo, o amor, a beleza. Foi muito bonito e bem escrito”.

Dona Nenê

Waldemarzinho
Foto: arquivo Seleções Carnavalescas

O sucesso na avenida vinha de muito suor não somente do Waldemar, mas também de toda a comunidade e de uma liderança insubstituível: a Dona Nenê. Ela era a própria escola, foi presidente da Mocidade e dava o exemplo de dedicação todos os dias. Cozinhava, organizava eventos, fazia fantasias. “Ela era tudo dentro da Mocidade, tenho uma saudade muito grande”, diz Waldemarzinho.

Ele também lembra da missa de sétimo dia da Dona Nenê, que tinha um santinho que o emociona até hoje: “Não deixe o samba morrer, não deixe o samba acabar, o morro foi feito de samba, de samba pra gente sambar”.

Hoje, Waldemarzinho segue a vida como empresário e acompanha a festa de longe. Ele não trabalha mais com a folia. Aliás, não é assim que ele vê as décadas de esforço ininterrupto: “Nunca trabalhei com Carnaval. Eu fiz Carnaval”.

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