Chegou a hora de matar a saudade da Saci-Pô! Depois de sete anos sem desfilar, a agremiação retorna para a avenida e promete um espetáculo à altura da comemoração do Jubileu de Ouro, que representa 50 anos da fundação.
A escola vai ter cerca de 450 integrantes, com direito a tudo que os grandes desfiles merecem: carros alegóricos, fantasias de luxo, alas das baianas e das crianças, comissão de frente e muito mais. Vai ser no domingo (11), com saída da Praça Getúlio Vargas, às 19h30. O trajeto passa pelo centro da cidade em direção à Praça Dom Pedro II (Macacos).
Entre os foliões, há também pessoas que fizeram parte de outras agremiações locais, como Pererê do Amanhã, Acadêmicos de Santa Rita, Congo de Ouro e Toq tô à toa. Além disso, cerca de 260 turistas de São Paulo (SP) e Rio de Janeiro (RJ) estão confirmados e vêm a Poços especificamente para acompanhar a Saci-Pô.
Outro destaque do desfile será a homenagem à Dona Lea, mãe de Marcus Togni, que foi um dos principais personagens e grande incentivadora da escola nestes 50 anos. Ela será representada por uma brilhante estrela-guia.
A Seleções Carnavalescas conversou com os fundadores da escola, Marcus Togni e Mestre Bucha, para lembrar um pouco dessa história e saber como está a expectativa para a retomada.
50 anos
Nestes 50 anos, as histórias e conquistas são relevantes. No início, amigos se juntaram para criar um bloquinho, que rapidamente cresceu. “De bloquinho, viramos blocão. Ficou muito grande a diferença entre um bloco de 20 pessoas e o nosso, que tinha 300. Mas o nosso bloco queria mais: comissão de frente, mestre-sala e porta-bandeira, carros alegóricos, destaque, alas, enredo próprio, ala das baianas”, lembra o presidente de honra, Marcus Togni.
Com 32 títulos de campeã, os momentos marcantes foram muitos. Entre eles, a homenagem que a Beija-Flor de Nilópolis, escola de samba do grupo especial do Rio de Janeiro (RJ), prestou aos poços-caldenses em 2006, por intermédio da Saci-Pô. Na ocasião, o enredo foi “Poços de Caldas: derrama sobre a terra suas águas milagrosas – do caos inicial à explosão da vida”.
Em 2011, 82 integrantes da Saci-Pô representaram o samba em Portugal, a convite do governo do país europeu. Segundo Marcus Togni, foram momentos que proporcionaram experiências importantes e muito aprendizado para os membros da escola. Agora, a retomada dos desfiles já está gerando mais frutos: uma nova oportunidade surgiu e a viagem às terras portuguesas deve ocorrer mais uma vez, no próximo ano.
As comemorações também passam por uma exposição, no Museu Histórico e Geográfico, que conta com objetos e figurinos significativos na trajetória da Saci-Pô. Os figurinos de luxo, que sempre geraram reconhecimento à agremiação, também já foram expostos em um dos mais importantes museus do mundo, o Louvre, em Paris.
Expectativa e união
Bucha relata que os ensaios têm sido comoventes. “É emocionante, depois de sete anos, voltar a ouvir o som dos tambores. É como rever o filho que você não vê há muito tempo, rever os amigos e fazer o que mais gostamos de fazer, que é o samba”, comenta o mestre de bateria.
O cavaquinista Anderson Heldt, que foi criado dentro da escola, também demonstra o que sente com este retorno: “Só quem está ali sabe a emoção, sabe como é começar um desfile. Exige muito comprometimento, organização e responsabilidade”, acrescenta.
A mãe dele, Sônia Junqueira, relaciona a sensação de desfilar novamente com o amor pela Saci-Pô, que une todos os membros: “Temos uma união que pouca gente tem”. Marcus Togni acrescenta: “Quem entra, não sai mais”.
Samba-enredo
Cinquenta anos de Saci-Pô
Autores: Jeffinho, S. Oliveira e Anderson Heldt
Vem na passarela um canto de fé
Gira, bailarina, na ponta do pé
Comemorando o Jubileu de Ouro,
A Saci-Pô é o meu tesouro!
Vem contar com harmonia o seu caminhar
Toda a história que deixou ficar
Marcada em cada coração
Com tanta beleza e paz
O mundo inteiro se curvou
Vamos brindar
O vinho verde que é do meu Portugal
Museu do Louvre virou nosso quintal
Vamos brindar
Vamos brindar, o mundo inteiro quer te conhecer
Explode coração, batam palmas pra você
Foi do lixo ao luxo
Ao espaço sideral, esbanjando alegria
No soar da bateria nosso toque está no ar
Hoje canta um canto tão bonito
Vai do céu ao infinito
Bota o povo pra sambar
Guiada pela estrela na imensidão
Mãe Lea sempre foi a inspiração
Cinquenta anos de história
A Saci-Pô é honra e glória
Oh cirandeiro, oh cirandar
Entra na roda que o show vai começar
E no compasso, vem no passo da alegria
Mostra sua alegoria que o amor está no ar
Brilhando com todo esplendor
Mãe Lea é a estrela que ilumina a Saci-Pô